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Rabiscos e divagações

Auto-retrato
Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Viúvo, com quatro filhos e dois netos.
Contato
Rabiscos e divagações
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Agostinho Neto
"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos"
Vital Farias
"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar"
Luiz Carlos Prestes
"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim"
Paulinho da Viola
"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos"
Josué de Castro


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-- Atual --

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A decisão
A entrevista
A espera
A fuga
A Mata do Caboclo
A ressaca
A vingança
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Amuo
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Atrapalhado
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De mazombo a brasileiro
Deca
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Janeiro 18, 2010


Sou Negro | Solano Trindade*

Sou negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh`alma recebeu o batismo dos tambores
atabaques, gongôs e agogôs

Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço
plantaram cana pro senhor de engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu

Depois meu avô brigou como um danado
nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso

Mesmo vovó
não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou

Na minh`alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação


* Solano Trindade, poeta, pintor, teatrólogo, cineasta, ator e folclorista negro. Nasceu no Recife, em 24 de julho de 1908 e faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de fevereiro de 1974.

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MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Janeiro 18, 2010
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Janeiro 06, 2010


Passagem do ano

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escore da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-repitícia.

Carlos Drummond de Andrade - In A rosa do povo




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MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Janeiro 06, 2010
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Dezembro 24, 2009


Presente natalino

Adroaldo sempre foi um filho exemplar. Logo que se formou em Agronomia, ele começou a trabalhar para libertar o pai do trabalho alugado. Depois de muitos anos, tentou levar os pais para o Recife, mas eles não quiseram. Camponeses pobres, os pais ficam deslumbrados em suas visitas à capital pernambucana, mas jamais se acostumariam à vida da cidade.
     Adroaldo ajeitou a vida dos genitores onde eles viviam, no meio do mato. O pai, seu Agenor, jamais pensou em ficar parado, por isto aceitou a ajuda do filho e montou uma pequena bodega, quase um quiosque.
     A casa dos pais de Adroaldo, entre Chã de Alegria e Glória de Goitá, mais parece o centro de inovações tecnológicas daquelas brenhas, a começar pela energia solar, incluindo inúmeros eletrodomésticos.
     No Natal do ano passado, Adroaldo deu aos pais um presente que encantou os matutos.
— Você já viu o que tem na bodega de Agenor de Givaldo?
— Vi não, o que é?
— Vá lá olhar.
     Esta conversa se repetiu por semanas, pois ninguém sabia dizer o que é um forno de microondas. Reginaldo há algum tempo não aparecia pelo campo de futebol à beira do qual fica a bodega de Agenor, surpreendeu a todos quando chegou e perguntou:
— já viram o que tem lá na bodega de Agenor de Givaldo?
— O que é?
— Rapaz! Tem uma televisão tão arretada que até cozinha cuscuz!

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MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Dezembro 24, 2009
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Novembro 09, 2009


Entrevista com Moacir Lopes

Luís Sérgio dos Santos entrevista o escritor Moacir C Lopes, com participação de quatro convidados: Andrey do Amaral, Arlete Sendra, Luiz Carlos do Rego Lima, Manoel Carlos Pinheiro e Mariel Reis. Quando for publicada, darei as informações aqui. Por enquanto, adianto as três perguntas que fiz, com as respostas de Moacir.

Manoel Carlos: — Em seus romances, o mar é mais do que um pano de fundo, um ambiente, torna-se personagem vivo. Fale sobre esta abordagem e a importância literária dela.

Moacir: —
Sim, pretendi mesmo, a partir de Maria de cada porto, apresentar o mar como um dos personagens centrais da trama, porque ele exerce grande influência na vida dos que o enfrentam nas longas viagens e eu o conheci nos seus momentos de maior fúria e nos de calmaria, nesses momentos parecemos inundados de maresia, influi no nosso humor, nos dá medo, provoca solidão e isolamento e nos torna cativos, impotentes em relação à sua força, seus vastos horizontes nos dão a impressão de eternidade. Nunca fui náufrago, mas testemunhei mais de um naufrágio e os transformei em romances, nos quais ele é o algoz e o túmulo, numa incansável fome de corpos e de almas.


Manoel Carlos: — Qual a importância de recursos estilísticos no tratamento do tempo, como os utilizados, por exemplo, em Por aqui não passaram rebanhos e em A ostra e o vento?

Moacir: —
Em A ostra e o vento, a personagem central, Marcela, cria um homem na sua imaginação e ele passa a ter vida própria na Ilha dos Afogados, onde ela vive entre dois velhos, sendo um seu pai. Criando esse personagem, ela se projeta com ele no espaço e no tempo, porque ele, Saulo, nome que ela lhe dá, passa a ser passageiro do vento e das nuvens que envolvem a ilha, rodopiando em torno dela, sem poder libertar-se. No caso, Marcela se liberta de seu tempo físico e cria uma eternidade só para os dois. Nesse contexto, procurei eliminar o tempo e o espaço físico em que ela se move, o que me forçou a criar o tempo circular da narrativa (ver, como exemplo, que o livro começa com uma vírgula e termina com uma vírgula, fechando o círculo), criando, dessa forma, um estilo próprio para a narrativa desse livro.
Em Por aqui não passaram rebanhos, procuro eliminar inteiramente o tempo na narrativa. Selene e o velho Sumé estão vivendo uma eternidade na região das Sete Cidades, Piauí, quando chega o terceiro personagem, Emiliano. Este e Selene, apaixonados, estão em tempos diferentes, cerca de 3.000 anos os separam e seus encontros têm curta duração, mas para ela cada encontro é uma existência completa vivida ao lado de Emiliano. Neste caso, tive que também subverter o conceito de tempo e de espaço. Ele tudo fará, na trajetória da narrativa, para que o tempo de Selene venha a coincidir com o seu.
Na verdade, desde meu primeiro romance tive essa preocupação de não utilizar tempos ociosos na narrativa, tanto é que começo cada um de meus livros pelo clímax, ou pelo fim, para ir desdobrando o tempo, ou seja, começa a narrativa nos minutos finais do tempo da trama para ir desmembrando-a. Assim, agi na maioria de meus romances.

Manoel Carlos: — Os nomes de seus personagens têm forte ligação com os temas de seus romances, por exemplo, Marcela = mar + cela, prisioneira do mar; Maristela =estrela do mar; Saulo, o invocado... Qual o processo utilizado por você na atribuição de nomes dos personagens?

Moacir: —
A escolha de nomes de personagens é a primeira coisa a fazer quando começo a pesquisar e elaborar um romance. Em quase todos os meus livros, tive que recomeçar mais de uma vez a narrativa porque determinado nome de personagem não estava coincidindo com sua vivência na história. "Mundo, mundo, grande mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima não seria a solução", diz Drummond, assim acho que o nome de uma pessoa é sua marca registrada, suporte de sua personalidade. Em todos os meus personagens, procurei nomes apropriados para a função que exerceriam. Assim, o caso de Marcela, como você mesmo cita, assim o caso de Saulo. Assim o caso de Selene, a lua, assim Maristela (estrela do mar), assim o caso de Sumé, corruptela de Thomé, o santo que teria permanecido alguns anos na região das Sete Cidades, evangelizando indígenas. Emiliano, que guerreia contra o tempo, me foi inspirado por Emiliano Zapata.

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MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Novembro 09, 2009
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Outubro 26, 2009


A ostra e o vento

Apresento pequena sinopse analítica do romance de Moacir C Lopes.
     A estória do romance “A ostra e o vento” se passa em um dia e uma noite, na Ilha dos Afogados. Com reminiscências de tempos diferentes, a narrativa é feita por Saulo, misterioso personagem apresentado a partir do diário de Marcela, na narrativa, a sexualidade de Marcela está associada ao vento.
     Marcela é filha de José, o faroleiro, homem triste e pai ciumento, abandonado por Joana, mãe de Marcela, tornou-se resmungão, violento e autoritário. Como faroleiro, era dedicado e responsável.
     Desde os nove anos de idade, Marcela foi morar na Ilha dos Afogados, com o pai e seu auxiliar, Mestre Daniel que perdera mulher e filho, mortos. Além de auxiliar José, Mestre Daniel foi responsável pela educação de Marcela, ensinado-a a ler e escrever. Ao se aposentar, foi substituído por Roberto, jovem forte e trabalhador, tratado grosseiramente por José, que o considerava um fugitivo em busca de refúgio na ilha.
     No romance, o tempo é importante elemento, não o tempo cronológico, mas o tempo interior, subjetivo dos personagens. Sem linearidade temporal, o clímax do romance se dá em um dia e uma noite. Os recursos estilísticos do autor permitem a apresentação dos personagens em narrativa circular, em que tudo é princípio e fim. Marcela é Saulo e vice-versa. Pequenas pausas na narrativa são interrupções no tempo. Os constantes retornos ao passado criam forte unidade entre fatos do enredo, ligados pela frase que inicia e termina o romance: “, manhã manhã de mais uma era que finda e reinicia no roldão das horas e do vento”.
     Os nomes dos principais personagens são a chave da compreensão do romance: Marcela e Saulo.
     Marcela, mar + cela. A ilha, prisioneira do mar.
     Saulo, de origem grega, significa o solicitado, o invocado.
     A letra esse (S), caminho tortuoso, de fora para dentro, de dentro para fora, num crescendo, com idéia de retorno.
     A letra a (A), aparência de torre de farol, o princípio e o fim, o ápice.
     A letra u (U), equilíbrio entre bem e mal, poder de absorver e expelir, atração entre pólo positivo e pólo negativo.
     A letra ele (L), decisão, passo, curva...
     A letra o (O), cadeias fechadas, ilha fora e dentro de cada um de nós.

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MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Outubro 26, 2009
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Clicar nas fotos para ver os álbuns correspondentes
Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Parque das Emas
Goiás - Mato Grosso do Sul
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Campos do Jordão
São Paulo
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Candeias
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
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Mercado São José - Recife
Pernambuco
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Piedade
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Pouso Alegre
Minas Gerais
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Cristo Redentor
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Nascente - Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Poente - Floresta da Tijuca
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Maracanã
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Zona Norte
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Micos
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Igreja da Penha
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro